- Relógios:

Desde que sentimos a necessidade de contar os dias, semanas, meses, anos e até as horas, deixamos de lado uma grande parte da nossa existência. Que espécie adora correr contra o tempo? Qual a necessidade de carimbar o espaço-tempo? Qual o sentido de querer cronometrar o tempo de ócio, lazer e estudos?

Foi na pequena invenção dos relógios que o mundo começou a ser cronometrado. Os seus dias estão contados, as suas horas estão sendo vendidas em troca de dinheiro. O mundo só se afundou ainda mais em tempo, quanto tempo leva para saber de uma guerra? Quanto mais rápido, menos valor as coisas têm. A existência perdeu seu valor, pelo contrário, ela tem o seu preço, recentemente um salário que não chega no mínimo para sobreviver. Desde quando o ponteiro começou a correr, suas batidas do coração começaram a ter preço, os dias começaram a ser necessariamente produtivos.

Vivemos vendendo horas das nossas vidas em troca de um pequeno salário. Quanto tempo já se foi? Que horas são? Eu me pergunto todos os dias, por que chegar sempre no horário? Desde quando estudar e ócio devem ser cronometrados? Vivemos em uma realidade que tudo tem perdido o seu valor, tantas informações rápidas só fazem que elas mesmo percam seu próprio valor, uma em cima da outra brilhando na sua tela e refletido nos seus olhos.

Um mundo que até mesmo conhecimento, perdeu o valor em si, hoje ele é para dar lucros. Desde quando estudar deve-se dar ganhos? Como precificar horas e horas de estudos? Como precificar culturas? Sim, o mundo está no palco para ser vendido, como diz aquela frase, “todos têm um preço”, será que todos têm? Como definir o valor da vida? Talvez, começando pelo tique e taque do relógio, talvez, só talvez começando pela necessidade das horas e até mesmo a contagem de dias. A vida cada vez mais tem perdido o seu sentido, cada dia a mais, a sua respiração tem ganhado uma precificação. Aliás, tempo é dinheiro, não é mesmo?

Tudo começa ao nascer do dia, o correr do relógio, o movimento do sol, a movimentação do dinheiro, a valorização do dólar ou do real, o café que precisa ficar pronto em minutos, os aprendizados resumidos em vídeos de segundos que logo serão esquecidos.

O mundo está de cabeça para baixo, notícias e mais notícias, qual é o seu sentido? Senão anunciar com aquele ar de sensacionalismo. Eles não resolvem os seus problemas, não trazem vidas de volta, somente o dinheiro cresce com a sua dor, é a sua pequena inocência acreditando que está ganhando visibilidade, seu pequeno ego está sendo ouvido por milhares de pessoas, que daqui a uns dias se quer lembraram da sua existência.

Me diga, qual o seu preço? Já vendeu a sua saúde hoje em troca de uma sobrevivência?

Não podemos quebrar uma sociedade, mas, podemos estar nas pontas do coelho vendo o quanto estamos presos a um mundo que tem crescido e tirado de nós o que temos de único, a nossa vida, as nossas energias em troca de dinheiro e mais dinheiro, que um dia será apenas um número com um valor para um bando de pessoas.

Enquanto isso, o relógio continua a correr, o mundo gira, a vida passa e mais uma vez deixamos de lado nossa existência.
 


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