- Quem sou eu?
Para melhor proveito do texto, ouça a música em sequência da leitura. Tenha uma boa reflexão :)
Eu não sei
quem sou, não tenho definição. Tudo que sei sobre mim são apenas repetições,
vícios e até mesmo o passado agindo dentro do meu inconsciente se misturando
com a realidade que está sendo enfiada nos meus olhos todos os dias a todo o
momento. Não sou um perfil no Facebook, Instagram, Twitter e muito menos uma
foto de perfil no WhatsApp. Posso ser apenas uma pintura de um passado não tão
distante, como posso também ter traços de um passado tão distante. O fato é
que, jamais serei apenas um rosto, corpo, passado, futuro, e até mesmo um mero
perfil em redes socias. Curtidas, likes, compartilhamentos, algoritmos,
definições externas impostas sobre mim e até mesmo o que você e os outros
pensam de mim, nunca poderão definir quem sou eu. Sou uma consciência que a
todo o momento está sendo bombardeada por informações de todos os cantos do
mundo, sempre estou deixando minha essência se misturar com a externalidade e
com muitas e outras consciências que nem sempre estão conscientes de si mesmos.
Falo, escrevo, curto, compartilho, sorrio, choro, cheiro, perco o folego e até
mesmo vivo, e apesar disso nunca poderei ser uma consciência definível. Como
Sartre fala “Estamos condenados a ser livres”, nunca vou ser uma obra
finalizada, uma escultura concreta e até mesmo apenas um perfil em alguma rede
social, continuo além de tudo que está no visível, comentado, compartilhado e
opinado. Vivo eternamente em uma luta de dois lados, busco a mim mesmo e ao
mesmo tempo luto contra toda a externalidade que vem dos perfis, comentários,
likes, falas e olhares. Sou dono de mim mesmo, estou nos portões do meu próprio
castelo vendo quem e o que pode entrar, ao mesmo tempo sou o meu próprio
guardião, onde vasculho dentro das masmorras e entranhas que habitam em mim, vejo
o que deve ficar, sair, morrer, voltar, continuar e fazer parte do meu
presente. Nunca foi e será uma batalha limpa, tranquila e harmoniosa, ela é
sangrenta! Sempre existirá mortes e felicidades, aqui nada será acabado e
completo, estamos sempre se alterando, pois, “tudo flui” e “tudo muda”, como o
próprio Heráclito já dizia, sou um uno múltiplo. A única coisa que não se
alterna e pode ser uma pequena definição do que sou é: Sou apenas um corpo que
está consciente de si e do mundo ao meu redor, onde sou lançado ao espaço tempo
e desde que vim ao mundo estou morrendo, logo irie morrer e a única coisa que
posso fazer e me transformar, modificar e até mesmo ser quem eu desejar, devo
lutar todos os dias contra o mundo e contra o meu mundo, estou sendo um ser
unilateral que não importa o que aconteça, irei envelhecer e consequentemente
morrer, então apenas me transformo e vivo em uma eterna batalha, para apenas
ter o pequeno prazer de morrer e dizer que não foi em vão, afinal a vida é
apenas um experiencia que vai fazer você sangrar queira ou não.
Comentários
Postar um comentário