- Mais um dia absurdo no mesmo planeta:

Mais um dia aqui, o mesmo sol nasce novamente para mim, estou mais um dia no mesmo planeta e com a mesma carcaça de ontem, porém mais velho, cada vez mais próximo da morte.

Mesmo planeta, porém um novo dia, um novo recomeço, o relógio completou o seu ciclo e o ponteiro começa a correr novamente.

A vida aqui é como o mito de Sísifo, novamente começo a carregar a pedra até o fim de um maldito dia, para que depois eu venha começar novamente.

Mas hoje, quando o relógio tocou, e tudo começou, os meus olhos abriram-se, eu não vi mais a mesma pedra, a mesma montanha... eu estava jogado em meio a um oceano, sem ter aonde ir, e sem o que fazer, e na euforia do momento comecei a mergulhar nesse oceano, e vi que a vida era muito mais que apenas uma simples rocha que deve ser suportada, vi que a vida é como um maldito oceano, onde existe calmarias e tempestades, lugares rasos e lugares profundos...

Após ser jogado nesse maldito oceano, deixei a correnteza levar-me para onde ela quis, sempre topei de frente com tubarões, peixes e até mesmo monstros! E mesmo que eu esteja adorando essa nova vida, onde estou apenas seguindo a correnteza, eu sinto que mesmo com toda a abundância de água ao meu redor, sinto que estou apenas existindo ao mar de possibilidades, onde nada de fato importa, e não importa mesmo!

Vida, o seu trabalho é apenas criar seres para poder se alimentar mais tarde de nós, para poder se manter viva com as nossas carcaças, velhos corpos saborosos... Eu vivi por muito tempo seguindo seu sentindo, seu caminho, vagando pelas suas correntezas, e hoje vida, sua maldita predadora! Quando o relógio começar a contar novamente os minutos para o fim do dia, quando o sol nascer novamente, quando tudo começar do absurdo que é isso aqui, eu irei-me levantar, pegar as cordas da minha existência, e tomarei as rédeas dela! Para que você veja, que não importa o quanto absurdo seja o seu sentido, não importa o tamanho que tu és, e nem mesmo importa que no final dessa grande batalha de existência, eu saia como perdedor, saia morto... afinal, eu não irei negar o meu destino, mas enquanto o sol nascer novamente e ele brilhar nesse maldito céu, eu irei segurar as cordas da minha existência com todas as forças que me restam, até que um dia, eu chegue aos seus olhos e diga, — Você foi um oponente digno!

Autor: Israel Santos

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